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O SINO DA ALDEIA - MEMÓRIASSábado, 16 de Janeiro de 2010A JOSÉ PEDRO GOMES![]() Meu caro José Pedro Gomes, meu amigo: Deixe-me tratá-lo assim pois, embora não o conhecendo pessoalmente, sou seu amigo há já uns bons anos, do tempo em que o Herman tinha graça e em que você e alguns outros, como a São José Lapa – admirável como no nome se pode transportar tanta informação! - me divertiam com inteligente humor. Sinto amizade por si porque se conseguiu libertar, rasgando amarras e baraços. Primeiro do Herman, que começou a ser mais navio encalhado do que rebocador, e depois, daquela que por todos espera e a quem aproveito para pedir que seja muito paciente com as pessoas de bem. O seu relato, a que assisti na TV, sobre os momentos difíceis por que passou e que quase nos privavam de si, foram os minutos mais hilariantes dos últimos tempos. A forma como relata o acontecimento é um exemplo de sanidade intelectual superior e assinalável. E de vida! Pois bem, escrevo-lhe esta carta pública por dois motivos: Logo porque não é tão pública assim pois o meu blog é visitado por uma amiga fiel e por alguns outros que se perdem por atalhos para a auto-estrada da blogosfera. Querem ir ao “Abrupto” do Pacheco Pereira, o trânsito está infernal, tomam um atalho virando à esquerda e …zás, caem no meu blog! O outro motivo tem a ver com uma mensagem com carácter de “URGENTE” que a minha amiga fiel destas vidas me enviou. Era uma reprodução de palavras suas sobre teatro e sobre a educação que nos querem impingir. De imediato procedi à instalação de um reprodutor de som nos meus dois espaços http://... dizendo à minha mulher que não tinha apetite para o jantar, o que me custou um raspanete dos antigos. Você, meu amigo, fala alto e claro. Martela bem as sílabas, saboreando cada palavra que profere. São assim os bons actores. Só que, aqui, você falou como profissional honesto e pai honesto. Os senhores ministros, ou seus atentos lacaios, por certo ouviram as suas palavras. Se tivessem alguma vergonha ficariam de cara bem corada. Sobre o teatro, já se sabe do amor que os nossos governantes têm tido por ele. Preferem naturalmente outras artes! O que pode você esperar das criaturas? Continue a divulgar as suas (deles) estrumeiras. Peço-lhe. Depois, com muita graça e grande verdade, o José Pedro fala do que me diz mais directamente respeito – a anunciada avaliação de professores pelos encarregados de educação. Antes de mais, quero dizer-lhe que só li comentários de revolta, chamemos-lhe, em um jornal. O diário desportivo “ A Bola”! Nem mais, todos os outros caladinhos. Em “A Bola”, Vítor Serpa – o Director – em dois artigos e Jorge Olímpio Bento trouxeram a público o seu espanto e a sua denúncia. Bem hajam! Agora foi você ! Numa época em que tantos começam de novo a ter medo de dizer as verdades, um pai que é actor apenas de profissão vem a terreiro clamar pela Verdade e denunciar as falsas políticas de educação, ainda para cúmulo anunciadas ao país como sendo grandes lições de democrática moralização de práticas e costumes. Assim se enganam uns milhares. Naquela curta mas implacável comunicação você, meu Amigo, pode estar certo que foi a voz possível de muitos milhares de professores que têm servido de montadas aos fazedores de leis que vamos tendo. Um enorme Bem-Haja pela verdade das suas palavras ! Alguém tem de dizer a Verdade! Mas, afinal, os dois motivos para lhe escrever esta carta são, como é da praxe, três. O terceiro visa engraxá-lo, para o caso de poder um dia ser professor de um filho, ou de um neto seu, e necessitar da sua avaliação para progredir na carreirinha. Com esta nota de humor amargo termino. Os maiores êxitos pessoais e profissionais. Como seu atento espectador aqui lhe deixo a minha avaliação ao seu trabalho: 19 valores. O 20 fica para os próximos! Jorge G. - Republicação do nº11 de 18-06-2006 Pode escrever aqui o seu comentário |
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