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Quinta-feira, 9 de Abril de 2009

Na Páscoa celebra-se a vida e esta só faz sentido se vivida em Liberdade


Há dois anos, na Publicação nº 350 de "O SINO DA ALDEIA", era uma terça-feira, 24 de Abril, deixei esta mensagem. Foi já, então, uma memória do que no ano anterior, 2006, publicara nos "Bigodes do Gato" antigos, celebrando à minha maneira a Páscoa e a Liberdade, que em 2006 coincidiram na data.
Pois nesta semana de 2009, que termina no Domingo de Páscoa, recordo esta memória do Sino.


Há um ano escrevi estas palavras em "Os Bigodes do Gato"

A liberdade é a primeira sensação que um ser vivo experimenta ao nascer

No Calendário Gregoriano, 25 de Abril é o último dia em que o Domingo de Páscoa pode acontecer.

A 25 de Abril, há 32(amanhã 33) anos, o país ressuscitou numa segunda Páscoa celebrada e cantada como nunca.
Já desesperavam todos, crentes e não crentes, que o Portugal digno dos seus avós pudesse uma vez mais dar novos mundos ao mundo. O país mergulhara há muito num atoleiro de mentiras, de traições, de progressivo empequenecimento. O povo espreitava o mundo, pelas poucas frestas que se abriam nas janelas cerradas do Poder. Ouviam-se a medo as cantigas do Zeca ou do Adriano, escondia-se à pressa o “República” e olhava-se em volta, não fosse alguma figura sombria vigiar esse simples acto.

Portugal nunca estivera tão só, tão desolada e irrecuperavelmente afastado do mundo. O povo ia perdendo a capacidade de lutar, de se aperceber sequer que tinha de continuar a lutar. Era uma gente triste e acostumada à canga. As guerras em África, justificadas em “conversas em família”, como lhes chamava Marcelo Caetano, ninguém as entendia. Morriam os filhos antes dos pais, faziam-se órfãos e viúvas, ganhavam-se cicatrizes para o resto da vida.

Que tudo se fazia em nome e por amor à Pátria, mentia Caetano.

Do mundo, a que os portugueses chamavam “lá fora”, conheciam alguns Tuy, Badajoz e Ayamonte, terras fronteiriças, de onde se traziam bonecas e caramelos à socapa dos guardas da raia. O atraso cultural ia cumprindo o seu papel castrador. Trabalhava-se e davam-se graças ao Senhor por tal benesse, ainda que a paga da jorna fossem 10 reis de mel coado.
E dizia-se ao Povo que vivíamos orgulhosamente sós. A cultura do medo e da mentira prosseguira depois da morte de Salazar, e Portugal… definhava!

Claro que havia os resistentes que escapavam à malha apertada do regime. Sempre resistiram os estudantes, apesar dos “bufos” implantados no seu seio. Nunca se calaram as vozes de alguns escritores e intelectuais, como eram apelidados os que conseguiam emergir do país de analfabetos em que nos tornáramos. Mas estes, os da resistência activa, quantos eram?
Arrastava-se assim um povo quando, numa manhã, as rádios deram A Notícia.
No último dia possível a Páscoa anunciou-se ao povo. Portugal dera um exemplo ao mundo. Um país acabara de ressuscitar. E o povo de novo saiu à rua a cantar a Liberdade!

OBRIGADO A TODOS OS QUE CONTRIBUÍRAM PARA O 25 DE ABRIL !
PELA SUA CORAGEM E AMOR AO PRÓXIMO É QUE HOJE SOMOS LIVRES!


Texto escrito por Jorge G. em 25 de Abril de 2006

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Sophia de Mello Breyner Andresen


Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.


Que belo poema! Obrigado, Sophia.

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Republicação do nº 350 de "O SINO DA ALDEIA" - JPG, o sineiro

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CANAL MEMÓRIAS , nº4 - Jorge P.G.




Publicado por Jorge P.G : 4/09/2009 01:57:00 AM : 17 Comentários:

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